29 de dez. de 2016

Existencialismo: um ponto de vista áspero sobre a vida e a fragilidade da existência

Para estar vivo basta ter suas funções vitais em funcionamento. Mas “viver” é mais do que isso. Estar vivo, todos nós estamos, trabalhando, estudando, comendo, bebendo, e preservando, ou não, nosso corpo: matéria essencial para a existência humana, além da consciência. 

Há muito tempo acompanho de perto como é a vida de alguém que passa a ver o mundo “preto e branco”, sem graça, sem vida, afinal. Isso ocorre geralmente em um curto período quando perde-se algum ente muito querido, quando tem-se uma decepção amorosa ou coisa do tipo, tornando a vida mais amarga que ela poderia ser. A vida, tal como ela é, e tal como ela se encontra após uma decepção capaz de atingir até mesmo nossos órgãos e a forma com que vemos o mundo, é uma distorção da realidade, tornando-a mais alegre ou mais triste, a medida em que coisas acontecem conosco. Afinal, quem nunca passou por uma perda irremediável, daquelas de ficar dias relembrando e se decepcionando novamente? Até o momento em que decidimos ser fiéis conosco e encarar a realidade nua e crua, por mais injusta que ela seja.
 Viver, para algumas pessoas, muitas delas, aliás, é buscar a felicidade, estando ela nos amigos, família, religião, ou em coisas materiais que o dinheiro é capaz de comprar, bem como vídeo games, automóveis, casas, etc. A diferença entre viver e estar vivo, pode ser considerada como a forma que vemos a vida, buscando a felicidade e vivendo-a, ou não, simplesmente vivendo maquinalmente, aceitando aquilo que vier, sem questionar, e principalmente, sem buscar melhorias. Claro que nem todos podem alcançar as melhorias que desejam, bem como o sucesso financeiro, aliás, se dependesse tão somente do esforço pessoal e da vontade de viver, não haveria miséria no mundo, concorda? Ninguém é miserável por que quer. São raras exceções. A forma que encaramos a realidade define aquilo que somos, aquilo que almejamos ser, e mudar aquele que fomos um dia.



Ao entender as diferenças entre viver e estar vivo (o leito pode, por si só, definir essas diferenças, de acordo com sua própria percepção, creio que cada pessoa tem, dentro de si, a ideia do que é viver e o que é simplesmente estar vivo) fica claro que o modo de vida, bem como a realidade, muda de uma forma ou de outra, para baixo ou para cima, para melhor ou para pior, nos tornando pessoas melhores, ou pessoas “neutras”.  Fica claro também, talvez nem tanto para alguns, que o destino para ambos é o mesmo. Aproveitando a vida em sua real essência, ou apenas viver, não evita que cheguemos ao mesmo lugar: o fim. Isso, o fim! A morte, ou  a pós-morte, ou paraíso cristão, que seja, que muitos acreditam.
Há tempos que me deparei com uma frase em uma rede social, que faz-me desfalecer no mesmo instante em que a li, ao mesmo tempo fiquei por demais pensativo a respeito dessa frase “niilista” talvez.
“quando morrermos seremos apenas um quadro na estante de alguém, depois de um tempo, nem isso.”


Acredita-se em dogmas e religiões para justificar, além de outros motivos pelo qual acredita-se em uma divindade, um sofrimento ou uma série deles. “Que tem após a vida?” Creio que em algum momento o leitor já fez essa pergunta para si mesmo, mesmo que seja por uma derradeiro instante.
Em uma perspectiva “áspera” poderia dizer eu que nossa consciência “simplesmente desaparece”. Coisa estranha pensar dessa forma, em que se é um empresário, um professor, um doutor, um ambulante, um mendigo, um militante da paz, um revolucionário, etc. e de um instante para outro passa-se a ser simplesmente nada. Tudo desaparece. Tudo o que fomos e tudo que poderíamos ser. Além do mais, a morte, ou o “nada” após a vida é uma das coisas mais impiedosas que conheço em minha jovem vida, nem ao menos nos espera para nos despedirmos das pessoas que amamos, talvez “nos pegue no meio de um copo de uísque” como dizia Raul Seixas.
Pensar que o que somos simplesmente deixa de existir, e parte para o “nada absoluto” é uma tarefa difícil demais para se compreender.  Temos ideia do que é o “nada”, afinal, para entendermos a morte?

Podemos até ter a ideia do que o nada é, de fato, simplesmente nada! Mas tão somente pelo fato de estarmos direcionando nossos pensamentos para essa abstração, materializando-a em nossa consciência, buscando uma manifestação desse fenômeno e conquistando uma definição, ou seja, na tentativa de elucidarmos esse conceito abstrato, o "nada" torna-se algo.


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